Como estudantes ou voluntários, cresce o número de brasileiros morando em outros países

Ana Cecília Nogueira
Marina Bastos

01 de novembro de 2012

O número de brasileiros que saem do país para estudar no exterior deve aumentar este ano 15% em relação a 2011, e ultrapassar a marca de 240 mil, de acordo com dados da Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta). O aumento do poder aquisitivo da Classe C é um dos fatores que alavancaram essa estimativa, aponta a associação. As facilidades de crédito e alternativas de parcelamento tornam possível para muitas pessoas esse tipo de experiência.

 O levantamento da Belta mostra ainda que os destinos mais procurados pelos brasileiros continuam sendo Canadá, Estados Unidos e Inglaterra,especialmente para cursos de inglês avançado. Outras opções, contudo, também tem ganhado destaque como a Suíça, Argentina e África do Sul. A estudante de biologia da PUC-MG Annalice Ferraz tinha interesse em morar fora do país desde a adolescência, só que a oportunidade não aparecia na época. Na universidade, se inscreveu para o intercâmbio e com o apoio da família residiu por cinco meses na região de Córdoba, na Argentina. “Eu fui para ficar um semestre na Universidad de Santa Maria, e acabei me apaixonando pelas pessoas e pelo lugar. Estou pensando seriamente em me inscrever para o programa de pós-graduação deles”, afirmou em entrevista.

De acordo com Rodrigo Faria, professor de Relações Internacionais da UniBH, fazer intercâmbio significa mais que a oportunidade de conhecer outros países e pode ser um fator decisivo para a carreira. “Além de aperfeiçoar um segundo idioma ,o intercambista ganha vivência internacional e se aprofunda na cultura do país de destino, diferenciais que são avaliados nas entrevistas futuras de emprego”, enumerou por telefone.

O governo norte-americano é um dos que demonstram maior interesse em receber alunos vindos do Brasil em suas universidades e escolas. Atualmente são cerca de nove mil, mas o objetivo é alcançar a marca de 15 mil estudantes brasileiros até 2015,  segunda a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Além do relacionamento entre os dois países, um bom motivo para a abertura norte-americana é o capital que os brasileiros gastam enquanto estão fora do país. Os dados do Banco Central mostram que só nos primeiros sete meses de 2012, as despesas dos brasileiros no exterior somaram US$ 12,71 bilhões.

Intercâmbio voluntário

Outra modalidade de intercâmbio que está sendo descoberta pelos brasileiros é o de trabalho voluntário. Não existem dados oficiais, mas a Belta garante que o número de brasileiros que saem do país para realizar trabalho voluntário dobra a cada ano.

Os destinos mais procurados são os países da América do Sul, especialmente Colômbia, Chile e Argentina. A Aisec (Associação Internacional de Estudantes de Ciências Econômicas e Sociais) (http://www.aiesec.org.br), organização global que possui escritórios em cerca de 110 países, é uma entidade sem fins lucrativos que promove o intercâmbio voluntário. Conhecido como Cidadão Global, o programa oferece para estudantes, ou recém formados a possibilidade de passar um período de três meses a um ano em outro país, trabalhando em programas educativos. Esse países já vêm trabalhando com politícas sociais há bastante tempo já conseguem enxergar a importância do trabalho voluntário e de pessoas que têm boa qualificação, é o que garante o setor de Relações Públicas da Aisec.

Da mesma forma que o intercâmbio de estudos, o intercâmbio voluntário é considerado um diferencial para o mercado de trabalho. Ao voltar de uma experiência como essa o indivíduo é bem visto pelas grandes empresas, já que além de desenvolver aptidões, demonstra que sabe trabalhar em equipe. Maísa Assunção, especialista em processos de recrutamento, afirmou que realizar um trabalho social fora do país mostra uma vontade genuína de contribuir para o bem estar de uma comunidade, o que coincide com as metas de grandes empresas, especialmente as multinacionais.