Alina Neves
Vinicius Prado

16 de Outubro de 2015

Abalados psicologicamente e economicamente após a Primeira Guerra Mundial e o Tratado de Versalhes, os alemães encontraram nas propostas nazistas a única forma de reerguer um país destruído. Como a população estava desolada e sem motivações, o nazismo foi fundamental para preencher o vazio político e social no país.

Moldando uma realidade artificial, as técnicas sutis de implantação das práticas nazistas foram fundamentais para a aceitação e expansão da política proposta, como um meio de alternância em relação aos governos anteriores.

Adolf Hitler percebeu através dos Golpes da Cervejaria – assim conhecido às reuniões da oposição ao governo – a insatisfação de uma minoria e uma vontade inigualável de mudança por parte de alguns. Quando preso por tentativa de golpe, Hitler escreveu o seu livro Mein Kempf (Minha Luta) sendo este o manual dos ideais nazistas.

O partido Nacional-Socialista chegou ao poder através do voto, e no instante em que foram anunciados, os exércitos nazistas conhecidos como SS e SA já desfilavam pelas ruas com uma nova bandeira da Alemanha, onde o símbolo do partido nazista estava afixado. Organização e simetria faziam destes desfiles um grande evento.

As práticas e estratégias da propaganda nazista foram fundamentais para implantar na Alemanha tudo que o partido desejava, de uma forma mais emocional e eficiente. Para isso, o Ministério da Propaganda foi fundado, e teve como líder Joseph Goebbels. No primeiro momento, o partido ocupou os principais meios de comunicação, como o rádio, jornal, livros, arte e cinema, sendo ele responsável por filtrar informações, divulgar os ideais e aproximar-se da população. Através do slogan “HEIL, HITLER”, o nazismo ganhou força e atingiu a maioria dos alemães, ainda que por uma ideia de persuasão moldada na realidade artificial.

A primeira campanha chamada Queima dos Livros (10 de Maio de 1933), foi o início de uma alienação que implantaria a radicalização antissemita e padronização através da raça dita pura – ariana. Todos os livros que fossem contra ou desviados dos padrões nazistas foram queimados, sendo uma forte estratégia para apagar o passado e moldar o futuro de acordo com as estruturas desejadas.

O Antissemitismo espalhou o terror entre as pessoas de origem não alemã que viviam no país, e também dos alemães que não possuíam o sangue puro. A Noite dos Cristais (9 de Novembro de 1938) ficou conhecida como a noite da violência, onde o exército espalhou medo, calúnia e terror contra estas minorias. Escolher um inimigo foi estratégia para que o ódio não se disseminasse sem rumo entre a população alemã, não proporcionando assim espaço para a oposição.

Por meio das propagandas, o nazismo divulgou através do imagético, questões como valorização das crianças alemãs em relação ao tempo dentro das escolas – 7h às 21h – com o intuito de demonstrar preocupações com o futuro da nação. Enfatizou a raça ariana como valorização do próprio povo e a reestruturação sem a ajuda de outras raças, causando a aceitação do antissemitismo por parte de uma maioria. Como ferramenta, as produções audiovisuais eram confeccionadas e influenciavam a grande massa.

Ainda, a utilização de símbolos, como o da própria bandeira nazista, que repercutia a ideia de superioridade, única e eficiente, e um discurso do líder em tom de suprema autoridade, fez com que pontos como o genocídio continuassem acontecendo durante todo o período nazista sem que fossem percebidos.

O partido nazista chegou à Alemanha para unir as ideias em comum de um povo perdido por diversos motivos, que enxergaram nele um potêncial para uma reestrutura nacional, que transmitisse organização em excesso, competência e presença, ainda que por práticas comunicacionais bem estruturas.

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/66/Adolf_Hitler-1933.jpg

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/66/Adolf_Hitler-1933.jpg

 

DIEHL, Paula. Propaganda e persuasão na Alemanha nazista. 1ª Ed. São Paulo: Annablume, 1996.
COHEN, Peter. A arquitetura da destruição. 1989. Documentário.