Gustavo Massensine

Vitor Fernandes

18 de outubro de 2017

Priscila Sousa, natural de Ipatinga, Minas Gerais, tem 29 anos e foi pioneira ao se candidatar à Prefeitura da cidade de Framingham, localizada a 35 quilômetros de Boston, em Massachusetts, nos Estados Unidos. A jovem é graduada em Ciências Políticas pelo SimmonsCollege, em Boston, e filiada ao Partido Democrata. Sousa concorreu com outros seis candidatos nas primárias de setembro, porém não venceu para a próxima fase que ocorre em novembro.

A cidade possui 68 mil habitantes, de acordo com censo de 2010. Do total, 43 mil são eleitores e, desses, 1.100 são brasileiros. É uma das cidades com a maior porcentagem de eleitores brasileiros dos EUA. Nesta entrevista, realizada por email, Priscila ressalta: “Os brasileiros, até agora, são conhecidos mais pelo trabalho braçal, mas nós queremos abrir o leque de oportunidades. Nós temos essa capacidade intelectual”.

P: Por que decidiu se candidatar à Prefeitura de Framingham?

R:Resolvi lançar minha candidatura porque estávamos diante de uma fase bastante emocionante na história de Framingham. Estávamos mudando a estrutura do governo municipal e creio que nesta fase existia uma grande oportunidade para o nosso governo municipal ser mais inclusivo. Eu gostaria de ver mais envolvimento entre o governo, a comunidade e uma representação mais ampla da população dentro do governo. Eu resolvi me candidatar porque amo a cidade de Framingham, que é onde me adaptei à cultura americana.

P: Uma imigrante como prefeita. Existe algum tipo de preconceito quanto a isso?

R: Graças a Deus ainda não. Framingham sempre foi uma cidade com a cabeça bem aberta e onde os imigrantes podem sonhar.

P: Você quer servir de exemplo para outros brasileiros que moram nos Estados Unidos?

Olho: “Podemos inspirar os jovens e as crianças que estão crescendo aqui a sonharem mais alto”

R: É um objetivo que eu tenho. Nós vamos abrir o caminho para o engajamento político da comunidade brasileira aqui. Nós podemos sonhar mais alto, podemos inspirar os jovens e as crianças que estão crescendo aqui a sonharem mais alto. Os brasileiros, até agora, são conhecidos mais pelo trabalho braçal, mas nós queremos abrir o leque de oportunidades para os brasileiros. Nós temos essa capacidade intelectual.

P: Como você vê a posição do presidente Donald Trump em relação às políticas imigratórias?

R: Confesso que me deixam tristes. Não acho que o medo e ódio que ele espalha (diretamente ou indiretamente) representam as ideias que fizeram dos Estados Unidos uma grande nação.

P: Conte um pouco das suas experiências profissionais. Quais foram?

R: Sempre trabalhei muito, desde nova. Trabalhei na empresa dos meus pais, fazendo a limpeza de casas, escritórios, lavando carpetes e carregando entulho. Na minha graduação em Ciência Políticas, trabalhei junto com a senadora estadual Barbara L’italien. Hoje, faço trabalhos voluntários na comunidade.

P: Você era muito jovem quando deixou Ipatinga. Ainda mantém alguma relação com a cidade ou mesmo com o Brasil?

R: Guardo boas lembranças da cidade, meu querido Vale do Aço. Ainda tenho tios, primos e amigos em Ipatinga e visito sempre que posso.

P: Qual a principal diferença entre a política brasileira e a norte-americana?

R: Primeiramente a forma como as eleições são disputadas; aqui temos as primárias que definem os candidatos de dois partidos que disputarão apenas entre si. No Brasil, existem muitos partidos e as eleições são diretas. Mas, falando do cenário político, vejo problemas nos dois lados. O Brasil vive um caos de corrupção e os Estados Unidos vivem uma divisão pós-eleição do atual presidente Donald Trump, que é muito criticado por suas medidas extremas.

P: A participação da mulher na política nos Estados Unidos é diferente da do Brasil?

Olho: “O papel da mulher na política é o mesmo papel do homem, representar e servir a população”.

R: Nos dois países a gente vê o desejo de mudança, de renovação e de vozes novas. O papel da mulher na política é o mesmo papel do homem, representar e servir a população. Mas ainda precisamos de mais espaço para poder representar bem. E eu quero fazer parte desse movimento.

P: Mesmo não tendo passado para a próxima fase das eleições, você pretende continuar engajada politicamente?

R: Com certeza. Eu gostaria de ter seguido adiante, mas infelizmente não foi possível. Vou continuar me envolvendo nas causas da comunidade, ajudando da forma que puder. E, quando o novo prefeito for eleito, farei as cobranças necessárias para que a cidade tenha tudo que precise. Eu amo Framingham e espero que meu lugar favorito esteja sempre melhor.

 

Priscila Sousa foi candidata pelo Partido Democrata (Arquivo pessoal)