Lutas identitárias e crítica midiática

Seminário de Crítica da Mídia suscitou discussões na Comunicação

Iniciativa do Centro de Crítica da Mídia (CCM) e dos cursos de Cinema, Jornalismo e Publicidade e Propaganda, o Seminário de Crítica da Mídia trouxe uma multiplicidade de debates nos últimos dias 24, 25 e 26. Ao todo, foram doze atividades com convidados de vários cantos do Brasil, abrangendo temas como representatividade, manipulação midiática e o atual cenário político brasileiro.

Primeiro dia de atividades, que aconteceram no Teatro do Prédio 30 e no Auditório do Prédio 43. FOTO: Isaque Henrique // Lab Foto

A conferência que mais gerou repercussão e discordâncias foi a do escritor e ensaísta Francisco Bosco, intitulada “Luta por Reconhecimento e Crítica da Mídia”. A discussão se deu, principalmente, a partir do seu livro mais recente, “A Vítima Tem Sempre Razão?”. A obra discute o novo espaço público brasileiro, consolidado a partir de três fatores, segundo o autor: junho de 2013, o colapso do lulismo e a expansão das redes sociais. Na conferência, Bosco resgatou esse contexto e problematizou algumas premissas e métodos de determinados setores da militância.

Bosco discutiu o livro “A Vítima tem Sempre Razão?”
FOTO: Isaque Henrique // Lab Foto

O escritor, ao explicar o título do seu livro, diferenciou o nível estrutural do particular e criticou o senso de justiça utilitarista.

Para ele, uma vítima estrutural nem sempre tem razão em um contexto particular. “Essa premissa, ‘A Vítima Tem Sempre Razão’ conquistou muita adesão porque existe uma tradição que silencia e nega a palavra da mulher. Parte dos movimentos identitários inverteram a premissa, afirmando que a vítima tem sempre razão. É uma falsa alternativa”, pontuou.

Sua fala suscitou polêmica entre membros da plateia.

De acordo com Érika Giovanni, do 4° período de Jornalismo, a atividade foi enriquecedora por promover um debate múltiplo e abrangente. “Nós, como estudantes de Comunicação, precisamos sair das nossas bolhas. Se eu tenho um posicionamento diferente, não posso simplesmente ignorar outros argumentos que podem ser válidos”, afirmou a aluna, que discorda de alguns posicionamentos de Bosco e defende que a militância, no momento em que se encontra, tem legitimidade em ser incisiva.

OUTROS DEBATES
No mesmo dia 25, o professor Rogério Christofoletti, na conferência “Ética e Crítica da Mídia”, trouxe o debate sobre manipulação midiática, exemplificando como os meios de comunicação hegemônicos utilizam diversas táticas para distorcer informações.

No dia 26, a professora Beatriz Polivanov também discutiu as dinâmicas identitárias na sociedade contemporânea. Para ela, “é preciso levar em conta que não existe um público homogêneo, e que cada um de nós se apropria das plataformas digitais de uma maneira”.

A discussão sobre a questão racial apareceu principalmente na conferência de Cobertura do Futebol, que contou com a presença dos jornalistas Cândido Henrique e Marcelo Carvalho, no primeiro dia de evento. Diferentes perspectivas em relação ao fazer publicitário foram debatidas por Bruno Pompeu e Clotilde Perez.

(Publicado originalmente no Treze Informa – Edição 44)

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