Cinema como ferramenta política

Convidados discutiram a relação entre arte e questões de cunho social

O crítico Pablo Villaça, idealizador do Cinema em Cena, site pioneiro no Brasil, foi o convidado da abertura do Seminário. O debate abrangeu diversos temas, da linguagem audiovisual ao atual cenário político brasileiro. Outras atividades também englobam cenas culturais, como o universo cosplay, os serviços de streaming e a relação entre música e memória.

Para Pablo Villaça, não é possível discutir cinema sem discutir política. “O Cinema não existe dentro de um vácuo, ele é influenciado por fatores externos o tempo todo. A arte sempre foi um mecanismo de discutir a sociedade”, afirmou. Para ele, a sétima arte tem a função de fazer o público experimentar a vida do outro através da empatia.

O crítico também enfatizou a importância de se mostrar radicalmente contra a censura. “Temos a obrigação moral de nos manifestarmos. Ser isento, nesse contexto, é covardia. Os que censuram não são numerosos, mas são barulhentos”, pontuou.

No dia 25, Alice Riff, diretora do documentário “Meu Corpo é Político”, discutiu as temáticas do seu filme e o cenário do audiovisual no Brasil. A convidada ressaltou que o fazer cinematográfico se relaciona principalmente com a reconstituição de memórias. “O interesse não pode ser apenas atender ao mercado. É importante narrar histórias que nunca foram contadas, ”, disse.

Sobre a presença das mulheres no audiovisual, Riff destacou que a carência é maior nas áreas de fotografia, som e direção. O documentário da diretora, que foi exibido antes do debate, retrata o cotidiano de quatro transexuais da Periferia de São Paulo.

(Publicado originalmente no Treze Informa – Edição 44)

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